terça-feira, 22 de agosto de 2017

Eu Que...





Eu Que...

Eu queria um verso encantado
para uma noite que há muito tempo não tenho,
um drink porto-riquenho,
uma volta ao mundo de moto
sem controle remoto;


Minh’ alma humanista anda em estado de choque,
a reboque do meu desencanto,
e eu que pensava que era um Loki,
um rebelde do rock,
que a vida cabia num canto.

Andei sempre à beira do abismo,
de beco sem saída em beco sem saída,
entre a sinceridade extrema e o cinismo,
entre a ironia existencial e a paixão suicida.
Da viola quebrada à gota serena,
a tudo eu enfrentava,
só não me preparei para o tédio,
só não contei a solidão
no roteiro que menino escrevinhava.

A mulher mais linda dessa aventura, a vida,
essa se esgueirava, brincando de mal me quer bem me quer,
tanto usou e abusou essa mulher que assim me deixou,
testemunha ocular do que não devia nem queria,
o dono do olhar indiscreto,
e cansaço de pressupor a luta vã ao lado
na mesma rinha
do meu desejo secreto.

Dados, tudo parece um jogar de dados,
um tabuleiro encantado,
um mapa do tesouro que ninguém sabe se existe,
é como deus, é como o fado, o grande amor,
esse que não vistes.

Fardo,
ilusão, confete, serpentina,
o carnaval, o baile de máscaras a cada esquina.

Eu que sonhava tantas magias,
todo dia de manhã em que tardo
a minha juventude temporã,
que nunca vai me deixar,
me alucina.

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