Minha vida parou
Embaixo do coqueiro verde
Espero eternidades
Narinha não veio
Não fala
Talvez nunca volte
Mas eu continuo lutando como bom soldado
Desempregado
Fico parado na minha cama
No mesmo acorde
No mesmo verso
Na mesma gama
Até que a realidade me acorde
Agora não
Talvez mais tarde
Agora
Estou entorpecido de silêncio
Esses que fazem o mundo parar com seus barulhos
Tenho sido paciente comigo
A guerra não vai fugir
Talvez apenas o inimigo que eu amo tanto
Fico aqui nesse canto
Às vezes canto
Escrevo
Escrevo
Canto
Cresci na sinuca
Entre a vaia e a palma
Já não sonho com nada que salva
Só labuta
Apenas cumpro meu exílio depressivo
Até o silêncio resolver falar
Ou se dissolver
No ar
Aí saberei se dançarei ao sol do meio dia
Se beberei algumas noites de melancolia
Mas, pelo menos, poderei andar
Enfrentar o será que será
Te enterrar no cemitério do peito
Ou cantar sob a sua janela
Fechar o livro
Ou começar a escrever a nova
Novela
Vida de escritor
Puxar fios de novelos
O que eu quero mesmo é uma boa história
Não sobrevivo de misérias conhecidas
Nem à falta de zelo
Não entrego os anéis, nem os dedos
Eu quero o sonho
Ou a solidão
Não existe vida na zona de conforto
Saio na rua pra beber o sereno
É assim que eu amo
É assim que escrevo
Teju Franco 29/07/2021







