Ney e sua incrível metamorfose
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Se Pá Blogue do Compositor Teju Franco
quarta-feira, 25 de junho de 2025
Ney e sua incrível metamorfose
sábado, 12 de outubro de 2024
Vinícius de Moraes e o homem que envelheceu criança
Vinícius de
Moraes e o homem que envelheceu criança
Quanto mais eu
vivo, mais Vinicius eu fico, um dia explico isso. Vinicius foi um jovem velho,
se pegarmos a sua primeira safra poética ainda ligada à poesia católica
francesa, percebemos um jovem velho, repleto de culpas, desiludido do mundo,
cansado de tudo. Vinícius foi um homem que viveu de frente pra trás, ele nasceu
velho e foi se rejuvenescendo ao longo da vida; terminou a vida como um hippie
de cabelos compridos, aberto ao mundo e a tudo, um tirador de sarro, um garoto
brincalhão que amava a boemia, as mulheres, as paixões das quais nunca desistiu,
fosse o que fosse, a idade que tivesse, e principalmente marcou a história de um
espírito desprendido.
Você pode
perguntar – desprendido de quê? De tudo, absolutamente tudo, de dinheiro, da
idade que tinha, do compromisso com esse ou aquele estilo. Vinicius nasceu
preso ao conservadorismo católico e seu caminho foi um destino rumo à liberdade,
à experimentação em todos os níveis. Aposentou sua vida careta de diplomata
jogando aquele terno Armani a que era submetido em suas primeiras apresentações
e, como se diz, ‘caiu na esbórnia’, e viveu plenamente, como queria, a sua
maneira foi feliz dentro das possibilidades em que um homem complexo e
inteligente como ele poderia ser.
Pode-se escrever
um livro sobre a personalidade fascinante de Vinicius de Morais, mas o que
pretendo me ater nesse texto é essa regressão cronológica que foi sua vida,
como ele foi se libertando e rejuvenescendo ano após ano, cada vez mais infantil
no sentido profundo da palavra, era um adulto que trabalhava duro, pagava suas
contas, casava, descasava, fazia filhos, mas seu espírito era o de uma criança
que não se conformou com fato de que a vida não era uma aventura feita pra se
divertir.
Isso pode
parecer um papo furado, mas no caso deste personagem não é, é uma filosofia de
vida, buscada com coragem, renúncias, perdas e ganhos, alegria e sofrimento, que
ele cumpriu sem concessões de nenhuma maneira. Como bem disse Edu Lobo no
documentário de Miguel Faria Junior - Vinicius ajudou a criar a Bossa Nova, esta
conquistou o mundo como nenhum outro gênero da música brasileira, ele largou-a,
depois mergulhou de cabeça na africanidade que era raiz, mas sempre tratada de
ladinho como disse Maria Bethânia, desse mergulho criou os afro-sambas que abriu
portas para tantos outros artistas que vieram depois, a partir daí fez o que
quis, o que lhe dava na telha, na tonga da mironga do cabuletê: sambas
populares, samba rock, boleros, enfim: se encontrou no desencontro. Virou um
homem do seu tempo, deixou os cabelos crescerem, enveredou por temas sociais e
políticos, virou um homem de esquerda, mudou-se pra Bahia, casou na Umbanda,
casou-se com uma baiana, montou uma casa à beira mar repleta de bichos. Toquinho
disse que certa vez Vinicius lhe disse à janela olhando seus bichos no quintal,
era uma comunidade exótica, não me lembro ao certo, mas tinha um cachorro, um
pavão, um gato e sei lá mais quê, e Vinicius me sai com essa:
- Toco, tá vendo
esses bichos aí no quintal, eles desenvolveram um jeito de conviver. Sabe,
Toco, eu aprendi muito mais de diplomacia olhando esses bichos aí no quintal que
em todos os anos de Itamaraty. E acreditem, ele falou sério.
Vinícius nunca
desistiu da vida, nem da paixão, da necessidade que quase todos perdem ou
abandonam na maturidade de viverem apaixonados, coisa de adolescente? Talvez. Essa
paixão era feita da mesma coragem e desprendimento que norteou ou desnorteou sua
vida. Hoje as pessoas mais intensas que querem se apaixonar condicionam isso à
várias condições que nada tem a ver com o espírito rebelde e inconsequentemente
desprendido que move as paixões. A pessoa ao querer tudo fica sem nada de
verdade, não é assim? Eu quero alguém que me enlouqueça, que me entenda, que me
faça rir, gozar, sonhar, mas...Tem que ser alguém bem sucedido, vencedor, do
meu padrão ou classe social, outras coisas que nada tem a ver com a coisa de
olho e de pele (como dizia Leila Diniz), e de sintonia, comunicação, fascínio;
aí os moderninhos ficam esperando esse pacote completo, esse príncipe ou
princesa encantada que nunca aparece, e que quando aparece não fala a mesma
língua, não ri da mesma coisa, não é, porque a paixão não tem regras, tabelas,
bulas, extrato bancário.
A paixão de
Vinicius era movida pelas suas senhas secretas – o que uma mulher tem que as
outras não têm? (Nelson Rodrigues). Essa mulher de Vinicius podia ser tanto uma
aristocrata feminista como Tati, quanto uma baiana do candomblé como Gessy
Gesse. Paixão não tinha freio nem condições pra Vinícius, muito menos idade,
classe social, sucesso ou fracasso. Por isso se apaixonou várias vezes e viveu
essas paixões intensamente, uma a uma, uma de cada vez, plenamente, imensamente.
Coisa de jovem? Coisa da juventude? Coisa de criança? Talvez, adultos não vivem
assim, adultos querem segurança, estabilidade, conforto, dinheiro, coisas que
pra Vinícius não tinham o menor valor.
Para fechar essa
crônica, a coisa mais linda da alma desse poeta imenso conhecido como ‘poetinha’,
alcunha que ele adorava, pois também tinha o hábito de chamar a todos
acrescentando um diminutivo ao nome: Tonzinho, Toquinho, Narinha, Joãozinho, os
diminutivos pra ele eram uma forma de carinho e Vinícius era um homem do afeto
como bem observou Gilberto Gil, a poesia e a música dele trabalhavam no cerne,
no vértice, na intersecção em que se entrelaçam os afetos, fossem mulheres,
amigos, parceiros, era um agregador, um polo magnético em que todos circundavam
de alguma maneira. Lançou muita gente na música, gente que ninguém imagina,
Belchior, por exemplo, João Bosco, Francis Hime, Baden, Edu Lobo, Carlos Lyra e
tantos outros.
A prova de que
Vinicius morreu criança foi uma fala emocionada de Edu Lobo “Vinicius era uma pessoa
que ligava fora de hora pra gente, independente de trabalho, motivo, assunto a
tratar, ele ligava só pra saber como a gente estava – oi parceirinho, você está
bem?
Nessa época em
que vivemos a solidão em todas as suas perspectivas, em que as pessoas pouco se
encontram, vivem isoladas em suas telas com cinco mil amigos que mal conhecem,
tempo em que pra ligar pra um amigo é necessário agendar, como alguém poderia
ligar pra alguém, sem motivo, pra saber como está? Jamais! Tempo que mesmo percebendo
que algo não vai bem com alguém tratamos a pessoa protocolarmente com algumas
frases motivacionais no whatsapp, ou mesmo ignoramos, pensando
inconscientemente – se vira perdedor.
Quando você
tinha quinze anos e sua paquera te ignorava na festa, você ia pra casa acabado
e tinha ao menos meia dúzia de amigos pra te ajudarem nessa profunda crise existencial
rs, com quarenta, cinquenta, sessenta anos, você não tem ninguém, Vinicius
tinha, e seus amigos o tinham. Esse alguém deve ser coisa de criança? Talvez.
É, pode ser, mas
Vinicius ligava pra saber como alguém estava, e se não estivesse bem,
dispensaria toda sua atenção e sensibilidade, não se livraria da situação com
algumas frases rápidas, pois ele sabia que o motivo que precisamos na vida são
amigos, amores, paixões, boas gargalhadas e boas lágrimas, pois pra isso fomos
feitos como diz o mesmo em um de seus poemas. Coisa de criança? Talvez. Por
isso ele teve a vida plena e maravilhosa que teve, por isso ele é Vinicius de
Moraes, o homem a que o passar do tempo foi talhando uma criança, enquanto você
fica esperando seu príncipe, princesa, “princesis”, encantado, com conta cinco
estrelas, cobertura não sei onde, férias na Toscana, se achando velho pra isso
ou aquilo, à criança chamada Vinicius bastava apenas amor incondicional, afeto,
amizade, paixão. Feliz dia da criança, amigos, feliz Vinícius de Moraes a
todos.
Teju Franco
13/10/2024
domingo, 4 de agosto de 2024
O lugar dos sem lugar
Eu vivo de inventar alegria
Senão eu morria
Em poucos dias
Nasci em desacordo com o rei
Desgarrei
Sai pela porta dos fundos
No meio do caminho tinha um moinho
E um mundo inteiro
Moribundo
Que vida!, essa minha vida
Malabarista de palavras
Inventor de ritmos
Perdi o trem entre um verso e outro
Me refugiei no abandono
Da noite
Me fiz filho
O lugar dos sem lugar
O destino dos descarrilhos
Eu vivo de desinventar melancolia
Canto Hey Jude pra mim todo dia
Não sei se palhaço, mágico, repentista
Cômico da praça da alegria
Super-herói mal remunerado
Viver é tocar o barco
O show não pode parar
Enfrentar o sadismo do tempo
Ver o corpo piorar enquanto seu espírito melhora
Perdi a hora
Mas não lembro em que hora foi
O mosquito engoliu um boi
A banda começou a tocar
Eu entrei correndo atrasado no palco
Meio que extasiado e aterrorizado
Descobri que ali era o meu lugar
Justo ali
O lugar dos sem lugar
Lugar sem porta, parede, só luzes e cortinas
Atrás de cortinas
“Infinitas cortinas”
Não tem jeito
Não tive nem teria escolha
Dispenso o mágico, o palhaço
Pago hora extra para o super-herói
Entre estarrecido e cansado
Deslizo
Como Cecília
O disco Vida do Chico me rodopia
“Arranca vida, estufa vela
E leva, leva, longe, longe, longe, leva mais"
Teju Franco 04/08/2024
quinta-feira, 4 de julho de 2024
O sonho
O Sonho
Faz trinta e sete anos que não a
vejo, éramos muito meninos então. Foi uma loucura dessas que parecem vir de
outras vidas, um se apaixonar de costas e esperar o rosto se virar para
confirmar. Como dizia Nelson Rodrigues ‘o que uma mulher tem que as outras não
têm?’. Falta de ar, falta de chão, falta que pletora, medo que empurra, certeza
incognoscível. Foi uma confusão, uma revolução, um parar o mundo para
despedaçar outro, tudo o que eu tinha, e recomeçar. Não sei como, mas eu sabia,
sabia que teria que terminar um namoro de sete anos que veio desde a
adolescência, sabia que ia quebrar o coração de alguém, sabia que eu faria
isso, que eu faria o que fosse preciso, que faria tudo, e sabia tudo em trinta
segundos, até ela se virar sobre o corpo e me encontrar, olhos nos olhos. Suar
frio com o coração pulsando quente. Ela sorriu com um cigarro na mão, e falou (meu
Deus!, ela fala), com a irmã fumando ao lado, ela falou:
- Tem fogo?
- Tenho
Começou um caminho tortuoso entre
as mesas em minha direção, eu podia sentir a terra tremendo sob meus pés, olhei
para fora do bar e a cidade se desmanchava, virava contornos impressionistas,
incompreensíveis. Eu pensava – e agora? Depois de um conto de Shakespeare, a
juventude e a imaturidade fizeram tudo se partir em pedaços, insanamente, como
diz a música do Skank “um dia ela já vai, achar alguém pra vida inteira, como
você não quis fazer”. “Ganhei, perdi meu dia”. Perdi meu grande amor, joguei
fora, inadvertidamente, com a estupidez e a volúpia da juventude. Perdi pra
sempre, adeus Jujuba, ela se foi, cheia de ressentimentos com razões infinitas.
Quem joga fora um amor assim?
O amor eterno transmutou-se em ódio
eterno, e assim a vida correu, anos, décadas se passaram, nunca mais vi, nunca
mais soube, nunca, nunca, nunca e mais nunca.
Ontem ela voltou, da terra do
nunca, voltou em um sonho, meus sonhos sempre tão caóticos e infernais, em que
sempre perco alguma coisa, dessa vez me fizeram achar, pararam de me
enlouquecer pra ela voltar. E ela voltou, assim do nada, sem mágoa, sem
passado, sem ressentimento, voltou como quando chegou a primeira vez. E a gente
andava, distraídos, como no conto de Clarice, pela cidade, e ríamos muito, e
ríamos de admiração, havia um gosto nos olhos, passávamos por transeuntes sem
rostos, e ruas sem nomes, e lugares sem endereços, sem geografia, dobrando a
Paulista, encontrando Ipanema, sem nem um resquício de medo ou dúvida, sem nada
que atrapalhasse aquele dia, não mais que um dia, infinito, eterno, mas nada
disso importava, apenar estar ali, sem fim, sem começo, sem resto..
Que delícia!, e tudo era tão real,
tinha cheiro, tinha tato, tinha um caminhão amarelo de alegrias sem motivos, uma
multidão de sorvetes de morango. Não sabíamos pra onde caminhávamos, nem que
horas eram, nem onde estávamos, não tinha tempo, nem pressa, nem culpa, nem
nada. Nada importava além de estar ali, andando pra lugar nenhum, estar ali,
juntos de novo. Era como pisar a eternidade que existe em cada momento, mas
dessa vez sabendo dela, plenamente consciente, sim, consciente de que tínhamos
tudo o que precisávamos. Um mundo sem comida, sem fome, sem dinheiro, sem
tempo, sem lugar, sem destino, sem cansaço, sem matéria. Éramos nós ali,
antimatéria, nós nos corpos de sonho, éramos só isso, um sonho, o sonho que
nunca deveríamos ter deixado de ser, finalmente encontramo-nos, e nós éramos o nosso
próprio lugar. E basta.
Só lembro da alegria que corria
como criança, a felicidade existe e tem nome – Júnia.
Depois acordei, mas não me frustrei,
acordei assim leve, bêbado de felicidade. Eu sabia o tempo todo que era um
sonho, eu que pensei que nunca mais a veria, te vi, e dessa vez não perdi. E
basta. Depois de tudo, basta: um sonho, não mais que um sonho. Que sonho! Nos perdemos aqui, não ali, nesse
lugar sem tempo, nem endereço, nem destino, nem nada, naquela praça na terra do
nunca, ali, logo ali, no cinema Paradiso interestelar, ali onde ninguém se
perde, esse lugar feito de desejo e éter: o sonho.
Teju 05/07/2024
quarta-feira, 15 de maio de 2024
Hora Estranha
Hora EstranhaA hora estranhaO tempo tem olhos
Mas eu leio todos os sinais
Tenho desapegado de tudo que me detia, ou que não tinha pra onde ir
O passado ficou como um filme mal feito de que não faço mais parte
Meu cinema é de um realismo assustador
Tenho virado o manche na latitude precisa
Talvez por isso estranha
A felicidade de não se reconhecer mais
Medidas extremas tomadas com calma e profunda lucidez
E lá vai o motociclista
Mergulho intenso e disciplinado
Derrotas são parte do jogo
Vitórias também
A vida como ela é
E eu já não sou quem fui
Troquei de nome, de roupa, cabelo, senha, RG
E o mais importante: digitais
Já não toco o piano com os mesmos dedos
Ainda sou construtor de castelos
Mas aprendi a soprá-los
Toda decisão é um ato de solidão
Não são os outros, as circunstâncias
As derrotas, vitórias, problemas
Não é um jogo de azar
É sempre você e o momento
Esse que quando você pensa
Por um segundo é futuro
Mais segundo é presente
Mais um é passado
A vida são três segundos de dízimas periódicas
Compostas a cada passo
Eis que aceitei tanto seu jogo
Que passei a amá-lo só por si
Sem depender dos resultados
A plateia do teatro que preciso está dentro de mim, pagou caro por isso
Quebrei a banca dos desesperados
Nada espero de mim além de uma boa e corajosa atitude
Estranha porta essa em que o tempo não importa mais
E me basta portar-me bem
E quando nem de felicidade precisava mais
A libélula translúcida dela pousou nos meus olhos
Hora estranha essa de três segundos
Teju Franco 15/05/2024
quarta-feira, 31 de janeiro de 2024
Deixa o Barco
Sei lá
“É a funcionária e o bailarino”
O horário não combina
Quando ela tchum na cama, eu empino (rs brincadeira coma música do Chico)
Mas é um jeito de falar entre a senhora e a menina
Que me fascina
E essa calma irritante, desconcertante
De escutar, pensar, se colocar
Seus passeios pela biblioteca encantada
Sua escrita refinada de vida
Há que se entender a nobreza
Na qualidade positiva de caráter espiritual, moral, intelectual
Duas vidas absolutamente diferentes que se observam pacientes
Mas será possível?
Minha alma que sempre amou o impossível se excita
Minha idade de boêmio poeta hesita
Mas a sabedoria do que é bom não se limita, ninguém corajoso limita
Vai a prosa que conduz ao novo dia
Faça-se como o velho marinheiro observando a maresia
Deixa o barco
Deixa o barco
Seja o que for, ruim não será...
O que pode haver melhor que isso?
- Amor?
Mas esse, só o próprio saberá
Não adianta, nem eu, nem você, nem ninguém pensar
O amor não pergunta a que veio, a quem veio
Muito menos a gente que com qualquer resquício de certeza se rende.
Deixa o barco
O mar é sábio
Amar é confundir o mar
Teju Franco 01/02/2024
segunda-feira, 29 de janeiro de 2024
Maturidade
Ela fala
Eu falo
Há um tempo entre hiatos
Uma sabedoria
A vida não nasceu ontem
A vez não vai morrer amanhã
Não é preciso matar amanhã o maluco que morreu ontem
Há uma consciência do fluxo da vida
Já se sabe que as coisas são ou não são por mistérios incompreensíveis
O que tem de ser...será
O que não tem ...
Quando muito, patinar sem sair do lugar
Não temos todo o tempo do mundo
Mas não temos pressa nessa conversa
E há conversa abeça
Como se fôssemos garotos há décadas atrás
em uma tarde à toa, depois da sessão da tarde
A tagarelar num telefone de disquinho
Sobre o novo disco da Rita Lee
Sobre a festa de sábado à noite
Sobre àquela noite em Paraty
Saber o outro, com tanta vida
Sem pressa, é uma sabedoria
Qual o nome disso?
Os nomes já não são tão importantes nessa fase da vida
Temos pouco tempo
Mas vivemos como se tivéssemos todo tempo do mundo
Não somos tão jovens
Depois de ver tanta coisa, tantas vezes
Mas... por que não?
Quando a vez é, aparentemente, preciosa vez
O amor na maturidade é uma arte rebuscada
Um vinho raro
Há que se degustar sem pressa
Ninguém quer se enganar
Só se quer amar mesmo
Teju 30/01/2024





