Amar é coisa
que a gente não sabe
Nunca soube
Em nenhuma
época da história
Nem nos
quintais do mundo
Nem dentro
de casa
Nem no sofá
da casa da sogra
No muro que
a gente fazia xixi escrevendo nomes
No portão
Do pai e da
mãe
Só nas
histórias de amor
As tais “estórias”
Amar é muito
mais que dar e receber
É fazer
alguém se sentir especial
Reconhecido
Especialmente
único
Completo
Lúdico
Amar é
vender e comprar essa ilusão sem dinheiro
Não tem a
ver com fidelidade, traição
Não tem a
ver com liberdade, possessão
É saber se
fazer presente
Diariamente
como um evento
Uma rotina
de final feliz de filme B
Entre o dia
a dia de uma vida infeliz
O dia D
Às vezes é
simples demais
Saber
agradar
Elogiar
Olhar
Apoiar
Não existe
maior presente maior no mundo
Do que o
olhar apaixonado
Eu já errei
demais
Perdi uns
poucos e raros grandes amores
Já fui chato
Já fui alvo
da “flecha preta” do ciúme
Chato
bagarai
Já magoei
Deixei pra
trás “os corações partidos”
Já deixei e
magoei um grande amor
Que nunca me
perdoou
Já fracassei
com outro grande amor
Que nunca me
perdoou
Já abneguei
um possível amor
Que nunca me perdoou
Não sei se
aprendi
Ninguém sabe
Amar é
sempre uma coisa que está mais ali
“Más allá”
Vivemos em
uma época de rupturas
Alternância
A era das
minas
Espero que ela era seja a que nos ilumina
Espero mesmo
que ela traga uma outra mirada
Tá tudo
muito confuso
Tempo de
guerras múltiplas
Preto,
branco, macho, fêmea, louco, careta, esquerda, direita, hétero, homo...sapiens
dando cabeçadas
Monogamia,
poligamia,
Os cornos e
cornas da idade media
Os novos
amantes
Eu não sei o
que querer
Eu não sei o
que pedir
O melhor lugar
do amor para mim
É a zona sem
conforto da paixão
Sempre foi
Esse limbo
entre o medo e a coragem extremos
O estresse que tem paz
Chegar ao
Rio ao nascer do dia
Tomar água
de coco num quiosque antes do vestibular
Ouvir essa
música do Paralamas
Meu medo
hoje não é o “presente do futuro”
Imprevisível
E o que ele
possa trazer de desafios
Nem dos
novos comportamentos
Adoro ver as
meninas rosas se beijando
E os meninos
azuis se comendo
Adoro ver o
troca-troca de gêneros
Em liberdade
Meu medo é
essa pressa
Essa ânsia de
querer mais que tudo e não conseguir nada
Tão comum nesses tempos
O amante
feliz que na balada vai sonhando pegar cerveja
E na volta
pensa ter visto algo que possa ser mais
E que não é
E o que era, de fato, já era
O mais
estava ali atrás, super-reconhecível
Mas tem uma ânsia
Uma
insatisfação que não confia no amor
Uma ambição
burra
Uma
megalomania
Um querer
mais daquilo que não tem mais
O amor vive
nos detalhes
Na fina
percepção
Sempre
haverá um bonitão
Uma gata na
fila da cerveja
Uma errata
Pra te
roubar a santa ceia
De estar
apaixonado
Amar exige sabedoria
O futuro “muderno”
Provavelmente
Não irá
controlar agendas
Celulares
Lugares em
que foste
O que alguém
faz quando viaja sozinho
Talvez tudo
isso perca importância
Do que saber
estar ao lado
Quando
chance houver
De ser o
lado
Teju 10/09/2019