sábado, 31 de agosto de 2019
Teju Presente
Nada como um dia após o outro
Diria o negro no calabouço
Graciliano nas suas memórias do cárcere
Lula apaixonado na prisão dos carrascos de Curitiba
Os dias vem
Tão certos como
As ondas do mar do Vinicius
Vinicius
O homem que nunca desistiu
O dia vem
E sempre haverá de pegá-lo em um momento diferente
Essa é a grande herança e deseherança da vida
Todo dia é igual em sua diversidade
Não importa a idade
A situação
Todo dia é como sair do útero
Chorar, mamar, se virar
o Destino não se incomoda com o histórico
O sol não te pergunta o que fizeste ontem
Nem a semana passada
Não há pretérito perfeito
Nem imperfeito
Viver é uma sucessão de presentes
Doces
Amargos
Apaixonados
Desiludidos
Mas tudo fica
E todo dia se ganha um novo presente
Eu que sempre me esgueirei entre a tragédia e a comédia
Sempre sofri a ironia inexorável do destino dizendo
Foste um louco
Te Jogastes com uma boca imensa em tudo que era pouco
Com a fome dos inconformados
Tirando água de pedra
Poesia do transito da rotina
El loco do Piazzolla
"Mezcla rara de penultimo linyera
Y de primer polizonte en el viaje a venus"
Y asi diziendo, el loco me convida
A andar en su ilusión super-sport
Y vamos a correr por las cornisas
¡Con una golondrina en el motor!
"De vieytes nos aplauden: "¡viva! ¡viva!"
Los locos que inventaron el amor
Vai maluco
Se tudo é uma loucura mesmo
Os seus presentes serão esses
Que dinheiro nenhum poderá comprar
Se não há passado
Tampouco há futuro
Os tempos verbais
São teorias
Quem vive de teoria?
Siga.
Teju 31/08/2019
https://www.youtube.com/watch?v=yn58ZCIMEh8
sexta-feira, 30 de agosto de 2019
Depressão
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Divergente
É certo
Sobreviveremos
Como de costume
Peixinhos de cardume
Da normalidade não somos imunes
Temos vocação para a mediocridade
É verdade
Em maioria
Continuarei embebedado
Pela genialidade da minoria
Eu nasci do lado errado do planeta
Divergente
Diver
É outra
A minha buceta
Gente
Divergir
É o máximo de amor
Que consigo atingir
Pelos meus
Teju 27/08/2019
Outras Químicas
Tempo de labirinto de vidro
Transparente
Eu meio que me vejo
Passando pelo vidro
No passado
No presente
No vácuo da sombra
Ausente
Uma coisa lá passando
Sou eu
É fato que melhoro
Enquanto me deterioro
Eu vejo
Como vejo o melhor de mim num lampejo
Num homem mais velho
Mais feio
Penso em algumas mulheres mais velhas do que eu
Magnificas
Isla , Magda, Angela, Cida
Penso que o tempo vai modificar
O que significa
Uma beleza de outras químicas
Teju 26/08/2019
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Mexe Comigo Não (O eclipse da floresta)
Parecia um aviso vindo de longe
Lá de cima de tudo
Do meio da terra, do mundo
Um rufar alto de tambor mudo
Lá da selva
Da serra em chamas
O norte do Brasil “brasindo”
Ao redor de cucura-puruma
Anhangá uniu-se a Tupã
Coisa que nunca se viu
Guaraci apagou o Sol
E pediu a noite à Jaci
E Jaci mandou a noite
Em pleno dia
Em meio à tarde
Como um aviso
Ao branco sem juízo
A tarde escureceu
Ninguém entendeu
O operário, o militar, o banqueiro, o plebeu
Quando o Sol sem tino deu lugar ao breu
A cidade parou
Mas o que aconteceu?
Um mau agouro em cada eu desentendido se deu
Déjà vu de pós- armagedon
Tóxico céu de antimônio
A floresta mostrou seu poder
Da vida à destruição
Do gelo
À camada de ozônio
Posso ser ar e asfixia
Diziam os tambores mudos
O zunir das folhas cochichando na coxia
Aos insanos
filhos do capitão motosserra
Aos cristãos do demônio
Posso ser ar e não ser
Vida e destruição
Mexe comigo não
A mata soprou
O bafo do fogaréu
Aos incendiários do céu com suas bíblias na mão
Os genocidas, os snipers evangélicos
Os bélicos cristãos
Que Cristo o que
Cristo é uma conta num Banco da Suíça
Não!
Caramuru ensandecido
Fez o vento da fumaça negra
E soprou jazendo a noite em várias cidades do
hemisfério sul
Espalhando a cinza da morte
Se você não sabe
Eu sei o que faço
Mexe comigo não
Disse Anhangabaú
O aviso não foi apenas
Aos fascistas anacrônicos da terra plana
Foi aos exterminadores do futuro
Aos capitalistas do fim do mundo
De todo o mundo
De toda gama
Papo reto aos pastores do bezerro de ouro
Mexe comigo não
Não mexa com quem não pode
Você me derruba hoje
Amanhã você se fode
Teju 20/08/2019
domingo, 18 de agosto de 2019
Fica revogada a lei da gravidade
Chega de Bolsonauro
Tiranossauro
Homofóbicossauro
Racistatossauro
Xenofóbicossauro,
Misóginossauro
Machistossauro
Chega de monstros pesados
Fica sancionada a lei da leveza
Da empatia, do abraço
Da delicadeza
Do afeto
Ficam decretadas as rodas de violão
Democráticas
O salve simpatia
O João Gilberto
O Benjor do ser humano
O amor ao sicrano e ao beltrano
Em aberto
Amor e flor
De volta ao cartaz
O amor, o sorriso e a flor
Chega de saudade dessa ditadura
Vamos ter saudade da bossa nova
Do quero é mais
Da vida que se renova
Chega dessa gente feia
Burra, sem graça, sem charme, sem borogodó
Como disse o Poli
- Gente bosta
Fica decretado que a partir de amanhã
Só poderão transitar nas ruas seres flutuantes
Drummonds, Clarices, Leilas, Mutantes
E toda mais a gente boa dessa vida louca
Vamos boiar, flutuar acima da touca, mano
Venham amigos e hermanos
Vamos flutuar acima dos insanos
Vamos fazer uma música tão linda
Que eles haverão de se recolher com vergonha
Do barulho horrendo que fazem
Da sua pouca pinga
Para dentro do armário de onde nunca deveriam ter saído
Da covardia e da sacanagem
Vamos expulsar o grotesco
Com a leveza dos passos
De um samba bonito
"Negresco"
Vamos pairar sobre essa gente pesada
Simples assim
Sem precisar dar um tiro
Um soco
Um nada
Só com a leveza
Antigravitacional dos corações
.
Teju 19/08/2019
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
Morrer Jovem
Palco
sábado, 3 de agosto de 2019
Ómi Zicado
Na poesia eu sou triste de marré de si
Aproveito pra pedir licença à tristeza
Ser feliz é cansativo kkkkkk
Temos que ser feliz com todos os amigos
Com o dia que começa
Com a amada amante
Com a Chiquinha esperando ração
Com o jornalista que te entrevista
Com o futuro patrão
Com o facebook
Com o instagram
Com o youtube
E o Twitter
É muita felicidade
Eu não aguento
Preciso de um tempo
Aí agendo consulta com a poesia
Uma hora de tristeza
Ou será que agendo consulta com a Tristeza
Uma hora de poesia
Preciso de um analista
A Marilia não pode ser minha analista porque é minha amiga
Que saco
Tenho que me agendar com uma analista inimiga
O que eu queria mesmo era ter uma analista chamada sorte
Ô omi zicado
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
Álbum
A página vira e não vira
Estão grudadas
A página vira
Consegui
E as fotos amareladas
rompem como pedaços do tempo
Passagens de ano
Tim-Tim
Antes dos cliques digitais
Quando a tarde demorava
mais
Boletins escolares
Provas bimestrais
Tantas coisas afins
Momentos, planos, sonhos
tolos
Calça boca de sino
O primeiro beijo do menino
A camisa cacharréu
A língua estreante no céu
da boca
Da eternidade que nunca
mais teremos
Mas que tolo!
Que roupa é essa?
E esse cabelo?
Terminei o colégio
Vibrante
Sem saber que o melhor
tinha ficado
Naquele instante
Com os vestidos mágicos da
juventude
No meio da festa de formatura
Um fedelho dono do mundo
Senhor do tempo e da aventura
Esperando a próxima
música
Com medo de levar tábua
O cavaleiro da távola, girando
Parte o infante John
Travolta
As mãos umedecendo
Suando
Whiter Shade of Pale
Não tem mais volta
Em cima da Honda 125
O futuro e seu absinto
A cólera do mundo nos olhos
teens
Os braços em volta do
planeta
A vida ventando na silhueta
Cheia de espinhas lindas
Curvas raspando o cavalete
sem medo do tombo
Garotos são imortais
Como era o nome dessa
loirinha?
A velha turma do bairro
Nossa! Cresci!
Ainda não me formei
Mas não contei para
ninguém
Só tirei diploma, como se
dizia
Meu pai, magro com câncer
Meu herói dizendo adeus
O apartamento da “Boca do
Lixo”
Dos falsos amigos, o
sumiço
O Chevette amarelo
Meu primeiro carro
Meus cabelos rebeldes
Esvoaçados
Apressados
Olha eu lá sem graça
Correndo atrás de grana
A Ana
Eu fui um babaca com a
Ana
A Clara e a existência
que se iluminara
A Júnia e a paixão que
tinha música
A lavanda da Mônica
A Mara que nunca tive, nem
terei
A Marina com quem só errei
A Regina e meu sonho de
menino
Cadê minha foto de casamento?
Eu não me casei
Não de verdade, mentindo
pra Deus, pro pai, pra sogra, pra cidade
Que ano foi isso?
Olha! Eu lá no festival
da TV
Que glória
Agora sim, hein!?
“Artissssta”
Agora as sogras irão me
amar pelo que sou
E deixar de me ver apenas
como objeto sexual
Hahahahahá
Batalhou tanto, tão
esforçado
Nem morri na areia, nem ganhei
o Gramy
Nem valeu a feira
Nem zoei meus inimigos do
caixão como Brás Cubas
Um leão por dia
No circo da agonia
Não virei um velho reaça
como a maioria dos meus amigos
Revolucionário eu sou,
sempre fui
Pera aí, eu sou velho?
Desde quando?
E essa foto de cabelos
brancos
De quem são esses cabelos
brancos?
Como eu não vi isso
acontecer
Sem teto, bem sambado
Bem me amando
Mal amado
A melhor versão de mim agora
Embora meio deteriorado
Descolado como no primeiro
dia de aula
Tô eu lá na primeira
página do álbum
Grudado, grudada
A página que não vira
Duca! Meu primeiro apelido
Duca! Adjetivo
Duca! Estou vivo
A página vira
Segue o álbum
Teju 02/08/2019












