quinta-feira, 30 de março de 2017

Tem Gato na Tuba




Sem perceber eu passei de um repertório a outro, de um show a outro. "Whats App Solidão" na verdade tem um ano e uma vida, é um repertorio antológico. Mas o momento do mundo é tão louco e, como nos anos sessenta, o momento do nosso país é o mundo vezes louco, então as fibras desses tempos foram se entremeando no repertorio e tecendo outro; foram dois shows esse ano para me ver com outro show. Algumas velhas canções se encontraram nos versos e nas notas, músicas poderosas que passaram por mil formas e de repente se cristalizam para sempre, e você pensa: Uau!



Oito canções invadiram a área, entre novas e antigas que se resolveram, tem mais samba, híbridos tipos de samba, está tudo mais político. O show que comecei o ano era leve e fluente, esse é denso e mais explosivo. Novidades muitas: "Tem que Fazer Chover" é um mix de samba rock, afrosamba e maracatu, sempre foi uma música poderosa, tribal, uma macumba Hendrix, ela tem uns guias que a acompanham, porém o refrão nunca se apresentou de fato, cada hora era um diferente, agora ele veio, estava na cara o tempo todo, mas a hora de vir era agora, só agora ele pode aparecer, por quê?



Isso se deu também com outro hit pessoal, um côco urbano de embolada chamado “Mandacaru, o Super-Herói dos Pobres”, "musicão", o refrão também percorreu todos os caminhos da terra, de tempo em tempo ele mudava, agora, em meio ao último show, uma amiga comentou que havia mudado de novo, e eu me lembrei do refrão anterior, e eu percebi que eram duas frases do anterior e a ultima frase do atual, bingo! Nunca mais replanto meu mandacaru, lacrou!



"Cotovelo" também é uma dessas facadas que marcam o autor, as pessoas nunca esquecem e pedem sempre para ouvir, uma amiga gravou lindamente, mas eu só achei a forma e o arranjo dela agora, ficou uma loucura, ela passa por varias etapas caminhando para um clímax final, dor de cotovelo progressiva, uma ode a dor de cotovelo pop rock, ficou cheia de movimentos incríveis na dinâmica do arranjo.



"Jéssica e Val" , parceria de craque com o Léo Nogueira, integra uma parte do mosaico político do momento: inspirado no filme “Que Horas ela Volta”, eu dei o mote ao Léo e ele me devolveu uma letra padrão Chico Buarque. Era um momento de otimismo, o surgimento da Jéssica protagonizando a historia do país que parecia se encontrar, a Jéssica era os primeiros frutos do país que Lula conseguiu milagrosamente fazer vingar, Jéssica era e é a grande novidade do momento, e não é à toa que as presidentes da Une, da Ubes, da maioria dos movimentos estudantis nas diversas regiões do país são mulheres. E foram esses meninos que vimos nas ruas a grande novidade histórica do Brasil de 2017, e isso não tem retrocesso, eles já mostraram a que vieram, esses meninos, eles são fhoda, lindos, deram aula de resistência, luta, consciência, cidadania, estratégia, coragem, poesia, os únicos que reagiram de fato a esse golpe, meninos, nós vimos.




A parceria com o Poli (Marcio Policastro): “Si Fu” eu já falei várias vezes, é um retrato desse momento tétrico do Brasil e do mundo, puta canção duca duca duca, seguida da “Utopia”, um baião festival anos sessenta que tem toda a eloquência daquela época, é um baião que parece um soul, uma sensação de estar cantando baião no “Hair”, testar ela no show foi viajante, uma viagem no tempo, um festival da Recorde, que alegria essa parceria com o Sergio Ricardo. Dispor essas duas músicas em sequencia produz um efeito de intensidade política, tensão social, pesadelo e esperança.



Depois, um post das minhas reclamações e medos de envelhecer, uma coisa dessa fase que estou vivendo, dessa idade, quando se chega aos cinquenta, a gente começa a pensar muito na juventude, eu penso o tempo todo nisso, não sei se com outras pessoas da mesma idade está acontecendo a mesma coisa. Tem uma coisa de não vou entregar e tem outra de uma nostalgia sedutora. O Léo comentou que o post e os comentários tinham uma música, eu pilhei ele para fazer e ele fez, a letra em dez minutos, ali disposta no messenger, eu li e fiz a música em 15 minutos, uma belezinha, tão fofa que emparelhei com a minha pedra preciosa no bis, ela se chama “Vou ficar Velhinho Forever Young” e virá na sequencia de “Super-herói, o Artista, uma canção talismã que fiz com meu mano Adolar Marin e que já mora em alguns corações.



Obs: A dúvida que fica a respeito do novo show é se mudo de nome, acho que não, Whats App Solidão foi apresentado apenas duas vezes, aquele repertorio foi, mas deixou metade para o próximo show,  acho que vou manter o nome e mudar o show, a dúvida e opção seria mudar o nome para "Super-herói, o Artista"

obs 2: Gentes, que acham da gente criar um chat definitivo de compositores e mais alguns amigos que acompanham tudo para conversar de música e das nossas composições, trocar ideias, letras, melodias, enfim, fazer o que mais gostamos de fazer, falar e fazer música, não precisa ser um grupo, só um chat, tipo: "Tem gato na Tuba"

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