segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Inteiro



Não é tempo de meios amores

Nunca foi

Nem de meias batalhas

O confronto é diário

Aqui não é terra de sombra e água fresca

Ha que se comer léguas de cacimba nas costas

Para matar a sede na água metafísica das encostas

Escrever mil liras, plantar mil lírios

Escorregar em limbos e limbos e delírios

Utopias de apostar vidas em desertos

Não é tempo de meia sorte, meia morte, meia vida, meio azar

Nada é certo, nunca haverá partes atenuantes por perto

Aqui o destino joga tudo a todo tempo num piscar ...

Não é tempo de meio dia, meia noite

Meia hora pra adiar

Nem atrás, nem à frente

Corremos com o tempo

Atrás de uma linha “que siempre está más allá”

Não é tempo de baixar a guarda, a cabeça, nunca foi

Não há férias, nem inverno, nem outono, nem verão, nunca houve

Nunca foi

Nada além de inventar primaveras

De fazer brotarem flores da pedra

Jardins de quartzo verde

Levanto, lavo o rosto, olho a estrada

Quem há de ter-te

Pergunto à areia do tempo

Deixo a meia vida para quem é de meios e metades

E sigo assim no vento

Inteiro assim...

Sem nada



Teju Franco 28/08/2023





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