segunda-feira, 28 de agosto de 2023
Samba Erudito 2
Vi o que não havia
Fui
Até aonde não devia
Ali onde fartam castelos de areia
Arco-íris entornam caminhos
Sonhos
Fiz a valsa, o blues, o rock
Gritei ao vento
Girei moinhos
Triturei ansiedades
Verdade
Decorei a casa para a festa
Chamei os amigos
Contratei violinos
Várias vezes
Noites em vão
Ao soar as primeiras notas
Uma chuva não convidada
Congelava o circo
Os convidados fugiam
Os violinos desafinavam
Castelos se iam no vento
Um velho ancião chamado destino
Me devolvia ao começo
Ao nada
- Faça tudo de novo, não foi dessa vez
Não foi dessa vez
Como um sonhador obstinado
Começava tudo de novo
Lá estava eu no princípio de tudo novamente
Mais um rock, outra bossa, novo blues
Mais uma vez um riso sem graça no fim
Uma ausência que a tudo cancelava
Então olhei para o velho ancião
Trocamos olhares com muitas palavras
Entendi a mensagem
Devolvi as chaves da casa
Dispensei o quarteto de cordas
Travei a hélice do moinho
Joguei solvente no arco-íris
Avisei os convidados
Uma alcoviteira dessas de janela do messenger
Me repetiu argumentos indigestos
Sem fazer gesto ou alarde
Sai com aquela cara de quem já foi tarde
O ancião me sorriu assertivamente
Quando um não quer
Dois não sonham
Teju Franco 09/09/2021
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