domingo, 6 de junho de 2021

Não nado em águas Rasas


Eu não nada em águas rasas, ponto

Não me venha com a ração do dia a dia

Minha fome é farta

Minha alma vadia

Tenho em mim a boca de engolir mundos

Meu dia a dia não tem cartão de ponto

Nem alarme despertador

Meu cuco sai do relógio quando lhe dá na telha

Passa a noite bebendo e cantando

Na zoeira

Vive de perder a hora

Minhas horas perdidas valem ouro

Não metal

Ouro de areia do tempo

De existir

Não aceito clones, só Julietas

Não tenho carência de afeto

Vivo bem sem

Carência eu tenho mesmo de um grande amor

Desses que faz o coração explodir

O dia colorir

O chão abstrair

Prefiro a solidão musicada

À companhia errada

Não tem jeito

Não me contento com pouco

Eu vivo de perdições de um coração com o bolso furado

Vou sem saber aonde

Volto desavisado

Preciso de grandes acordes, senhor maestro

Poupe seu alpiste

Viste

Entre o pouco e quase nada me alimento de fome

Fome de vida

Fome de amor

De folia, gozo, poesia

Melhor os famintos aos conformados

Não nasci pra pescar em rio seco

Jogo meu coração às piranhas

Procuro outro começo

Não tenho medo de chorar

De sofrer

De me espatifar

Tenho medo de ter medo

Meu único medo

Por isso, digo e repito

Não nado em águas rasas

Não nado onde eu não possa me afogar

 

Teju Franco  06/06/2021









 

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