Se ela sai do conto
E não entra
na história
Um rapaz
desavisado na estrada sobra
Onde era
mesmo o festival
Where is the
band?
Saio bêbado
como os garotos de Shakespeare após o baile
A noite é
uma mulher de tranças incompreensíveis
O amor um
adolescente com frio na barriga
Mercutio recita
o incompreensível
Romeu se droga, incognoscível
O baile se mascara
Onde nada
pode
Ela mora lá
Onde tudo se
pulsa e nada se decifra
O coração
não sabe das coisas
Corre nos
labirintos das veias abertas
Como um
louco atrás do choque
Ela se trança
nas torres do castelo
Me tranco em
transe na cela dos mistérios
Seguro as
barras de Clarice com as duas mãos
“Paisagem
com pássaros amarelos” de Klee não pede
Diz a flor
de Lispector
Eu olho
incrédulo por entre as grades
Qual seria a
história da liberdade?
Vejo um
parque perdido na tarde
Ela
flanando entre os verdes
Silvestre
Com seus
cabelos de fogo
Passagem
espectral
“Whiter
Shade of Pale”
Num lapso de
tempo se despe
Desfila “Lay
lady lay”
Pelo
carnaval
É vida ou éter?
Pego o lenço
que ela distraidamente deixa cair ao chão
Pulo sete
andares de mim
Subo treze galpões a mão
Fujo da prisão
Enfim
Me invento
no vento
Me sopro
como flauta doce
Transversal
A música
flui
Linda
Mas pra
onde?
Teju Franco
02/06/2021

Nenhum comentário:
Postar um comentário