Eu não nada em águas rasas, ponto
Não me venha com a
ração do dia a dia
Minha fome é farta
Minha alma vadia
Tenho em mim a boca
de engolir mundos
Meu dia a dia não
tem cartão de ponto
Nem alarme
despertador
Meu cuco sai do
relógio quando lhe dá na telha
Passa a noite
bebendo e cantando
Na zoeira
Vive de perder a hora
Minhas horas
perdidas valem ouro
Não metal
Ouro de areia do
tempo
De existir
Não aceito clones,
só Julietas
Não tenho carência
de afeto
Vivo bem sem
Carência eu tenho
mesmo de um grande amor
Desses que faz o
coração explodir
O dia colorir
O chão abstrair
Prefiro a solidão
musicada
À companhia errada
Não tem jeito
Não me contento com
pouco
Eu vivo de perdições
de um coração com o bolso furado
Vou sem saber aonde
Volto desavisado
Preciso de grandes
acordes, senhor maestro
Poupe seu alpiste
Viste
Entre o pouco e
quase nada me alimento de fome
Fome de vida
Fome de amor
De folia, gozo,
poesia
Melhor os famintos
aos conformados
Não nasci pra pescar
em rio seco
Jogo meu coração às
piranhas
Procuro outro começo
Não tenho medo de
chorar
De sofrer
De me espatifar
Tenho medo de ter
medo
Meu único medo
Por isso, digo e
repito
Não nado em águas
rasas
Não nado onde eu não
possa me afogar
Teju Franco 06/06/2021

Poético....
ResponderExcluirLindo, Teju!
ResponderExcluirMuito bom!
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