Sei lá
Ando
mergulhado na minha geração
Minha
geração rockeira que nunca fui
Eu era um
velho quando garoto
Minha vida é
de frente pra trás
Nasci velho
Tô voltando
Pera aí útero
To chegando
As mamães
anos 50 me deserdaram no futuro
Perdidos no
Espaço na tv smart preto e branco
Os hippies
no jardim da infância
Os punks no
colegial
A gente na
discoteca
O sistema e
seu caquético capital
Enquanto
Maio explodia liberdades em 68
Março nos
dava aula de educação moral e cívica
Em outubro o
homem ia à Lua
Em julho
Woodstock a moça dançava nua
Eu menino ultramen que fazia pipi na cama
Somos todos
sequelados
Principalmente
as meninas
Quanta
repressão em cima delas
Fumar um
baseado quase caindo da janela pra fumaça não ir pra dentro de casa
Vigiar a rua
com suas polícias e esquadrões da morte
Guerrear
pela liberdade a conta-gotas
Contra o poderoso Capitão América do norte
Nasci velho de
família como Vinicius de Moraes
E fui
porraloucando de querer mais e mais
Meu problema
nunca foi falta de energia
Não cheguei
à metade do tanque
E olha que
rodei
Ando assim
pela rua da vigésima cidade que morei
Pensando
Onde foi que
errei
Eu até sei
Mas finjo
que não sei
Minha vida é
de frente pra trás
O que eu não
saberei amanhã
Hoje sei
mais
Tô no
segundo ano da faculdade da vida
Tentando
passar pro primeiro
Se é que me
entende
“Vou danado
pra Catende”
Pra tonga da
mironga do cinco G
Quero morrer
de sexo
De música
De cerveja
De poesia
De uma nova droga
Nos
intervalos faço yoga
Corro cinco
quilómetros diários religiosamente no meu purgatório Opus Dei
Atrás da
mesma coisa que nunca alcanço
Ainda bem
Se alcançar
paro de correr
E começo a morrer
E eu não
quero parar
Enquanto puder correr
A semana
passada morri com Renato Russo
Essa, adolesci com Bowie que nunca ouvi
Depois de
amanhã ficarei menor de idade e beberei com Cazuza
Assistindo filme pornô
Meus heróis
são palhaços do riso fácil
Que voam num Circo Voador
Queria
encontrar a turminha mas eles viraram velhinhos
Chatos,
caretas com seus reumatismos certinhos
Em vidros
comprimidos de horas marcadas
Eu não
Preciso de espaço
Cada vez
mais espaço para meu corpo magro
Preciso ir à
praça, ao point, ao pico
Melhor a
nova turma
Essa em que
eternamente milito
Sócio
atlético
Pop mítico
Salve
simpatia
Diz que fui
por aí
Levando Um
violão
Debaixo do "abraço"
Meu tempo é
agora
Meu
território é onde a novidade acontece
Escolho passos
e pessoas
Sobrevivo
por um triz
Meu drama e
piada eu mesmo faço
Até hoje
De hoje em
hoje
Anti-horário
Motriz
Conservado
em profunda tristeza
Sou feliz
Sem mentiras
sociais, pessoais
Parei de
contar mentiras sobre mim a mim
Vivo a sorrir
de indigestas verdades
Se na
esquina outrem me maldiz, que o faça
Inveja não
derruba minha estátua
Nem perturba
minha praça
Esqueci um
senhor no banco enquanto me banhava na Fontana de Trevi
Contudo,
entretanto, La dolce vita “me sempre” foi recreio
Deve ser essa coisa de viver de aventura
Andar sem
freio na terra do nunca
Entre
ponteiros e cavaleiros imaginários
Vou morrer
mais jovem do que nasci
Antes de ter
mãe
Antes de ter
alma
Antes de ser
eu
Sob outro
signo
Anti-horário
Enfim
Sumi
Teju
18/11/2020


Nenhum comentário:
Postar um comentário