terça-feira, 22 de outubro de 2019

Que nunca vou abrir




Vou viver entre uma colcheia e outra
Em compasso de “um por dois”
Vou amar-nos por nós dois
Vou à festa de ação de graças
Vou à Páscoa dos Judeus
Vou sair na Mangueira
Vou viver feliz no silêncio
Como um pardal
Sem talento pra cantar
Vou disfarçar
Assobiar
Esconder o jogo
Embaixo da mesa da franqueza
Vou olhar as cartas
Não enviadas do meu amor
Meu amor não tem CEP
Nem logradouro
Estado, país, planeta
É como Deus
Só existe porque eu acredito
Em volta orbito
Com meu violino
Cheio de liras
E mentiras
Semibreves ao relento
Semicolcheias
Encantamento
Semínimas
Ínfimas
Semifusas
Com
Fusas
Sôfregas
Máximas
Maravilhas
Todas escondidas
Em uma Lira de Nero
Apagada
Em uma caixa de joias
Que nunca vou abrir
Ai de mim
                                                                                   Teju 23/10/2019

Nenhum comentário:

Postar um comentário