A gente só
sabe da velhice
Outro dia,
num show no ECLA
Uma jovem
seduzida pelos meus encantos de cantar
E enganar a
idade
Me disse da
plateia que eu podia tudo
Eu respondi
brincando em tom de ameaça
Não fala
isso pra mim
Mas
Eu sei que
não posso
Vinicius de
Moraes podia tudo
Porque ele
era Vinicius de Morais
Eu não sou
Vinicius
Mas eu
lembro de quando éramos jovens
E andávamos
pelas ruas como no conto de Clarice
“Havia a
levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a
garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca
entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta
sede era a própria água deles.” Clarice Lispector
E andávamos
pela cidade sem a pressa dos homens de negócios
Os jovens
não tem pressa
Nem negócios
Eles têm
todo o tempo do mundo como disse Renato
Andávamos lado a lado
E as ruas
eram arcos de promessas de grandes luares a porvir
Mas as
tardes eram infindas
Ruas que se
entrelaçavam em ruas
E a gente sem
pressa
Indo de
nenhum lugar pra lugar nenhum
Só vivendo
sem saber do tempo
Teju 18/10/2019

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