sexta-feira, 18 de outubro de 2019

Éramos jovens e não sabíamos



 Ninguém sabe que é jovem
A gente só sabe da velhice
Outro dia, num show no ECLA
Uma jovem seduzida pelos meus encantos de cantar
E enganar a idade
Me disse da plateia que eu podia tudo
Eu respondi brincando em tom de ameaça
Não fala isso pra mim
Mas
Eu sei que não posso
Vinicius de Moraes podia tudo
Porque ele era Vinicius de Morais
Eu não sou Vinicius
Mas eu lembro de quando éramos jovens
E andávamos pelas ruas como no conto de Clarice

“Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles.” Clarice Lispector

E andávamos pela cidade sem a pressa dos homens de negócios
Os jovens não tem pressa
Nem negócios
Eles têm todo o tempo do mundo como disse Renato
Andávamos lado a lado
E as ruas eram arcos de promessas de grandes luares a porvir
Mas as tardes eram infindas
Ruas que se entrelaçavam em ruas
E a gente sem pressa
Indo de nenhum lugar pra lugar nenhum
Só vivendo sem saber do tempo
                                                                     Teju 18/10/2019

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