Hora Estranha
A hora estranha
O tempo tem olhos
Mas eu leio todos os sinais
Tenho desapegado de tudo que me detia, ou que não tinha pra onde ir
O passado ficou como um filme mal feito de que não faço mais parte
Meu cinema é de um realismo assustador
Tenho virado o manche na latitude precisa
Talvez por isso estranha
A felicidade de não se reconhecer mais
Medidas extremas tomadas com calma e profunda lucidez
E lá vai o motociclista
Mergulho intenso e disciplinado
Derrotas são parte do jogo
Vitórias também
A vida como ela é
E eu já não sou quem fui
Troquei de nome, de roupa, cabelo, senha, RG
E o mais importante: digitais
Já não toco o piano com os mesmos dedos
Ainda sou construtor de castelos
Mas aprendi a soprá-los
Toda decisão é um ato de solidão
Não são os outros, as circunstâncias
As derrotas, vitórias, problemas
Não é um jogo de azar
É sempre você e o momento
Esse que quando você pensa
Por um segundo é futuro
Mais segundo é presente
Mais um é passado
A vida são três segundos de dízimas periódicas
Compostas a cada passo
Eis que aceitei tanto seu jogo
Que passei a amá-lo só por si
Sem depender dos resultados
A plateia do teatro que preciso está dentro de mim, pagou caro por isso
Quebrei a banca dos desesperados
Nada espero de mim além de uma boa e corajosa atitude
Estranha porta essa em que o tempo não importa mais
E me basta portar-me bem
E quando nem de felicidade precisava mais
A libélula translúcida dela pousou nos meus olhos
Hora estranha essa de três segundos
Teju Franco 15/05/2024
Nenhum comentário:
Postar um comentário