Eu vivo de inventar alegria
Senão eu morria
Em poucos dias
Nasci em desacordo com o rei
Desgarrei
Sai pela porta dos fundos
No meio do caminho tinha um moinho
E um mundo inteiro
Moribundo
Que vida!, essa minha vida
Malabarista de palavras
Inventor de ritmos
Perdi o trem entre um verso e outro
Me refugiei no abandono
Da noite
Me fiz filho
O lugar dos sem lugar
O destino dos descarrilhos
Eu vivo de desinventar melancolia
Canto Hey Jude pra mim todo dia
Não sei se palhaço, mágico, repentista
Cômico da praça da alegria
Super-herói mal remunerado
Viver é tocar o barco
O show não pode parar
Fato
Enfrentar o sadismo do tempo
Ver o corpo piorar enquanto seu espírito melhora
Perdi a hora
Mas não lembro em que hora foi
O mosquito engoliu um boi
A banda começou a tocar
Eu entrei correndo atrasado no palco
Meio que extasiado e aterrorizado
Descobri que ali era o meu lugar
Justo ali
O lugar dos sem lugar
Lugar sem porta, parede, só luzes e cortinas
Atrás de cortinas
“Infinitas cortinas”
Não tem jeito
Não tive nem teria escolha
Dispenso o mágico, o palhaço
Pago hora extra para o super-herói
Entre estarrecido e cansado
Deslizo
Como Cecília
“canto porque o instante existe”
O disco Vida do Chico me rodopia
“Arranca vida, estufa vela
E leva, leva, longe, longe, longe, leva mais"
Teju Franco 04/08/2024

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