Sábados
Eu vivo num eterno sábado
É
Não sei onde começa, nem termina
Não importa
O que me importa é saber que atrás daquela porta
Uma tarde verde viceja
Vai ter festa logo mais
Uma bicicleta amarela passa veloz
O florista entrega flores pra vizinha
É sábado, todos se arrumam
Dona Carmem rega o jardim
Seu Honório lava o carro
Eu escuto música alta no quarto
A moça se estende na piscina
Até a vida, essa distraída
Quer ficar mais bonita
Tem quem que goste de rotina, de marmita
Não no sábado
No sábado à noite todos são loucos
No sábado à tarde é preparar a festa espumante
No sábado de manhã minguém se lembra
Sábado as flores noturnas cheiram aromas, sexo, fragrâncias
As moças se maquiam falando de amores
Os moços se embriagam de coragens vespertinas
Delirantes
Vai ter um show, vai ter um beijo, um som, um vinho, um
queijo
Um festival
As luzes da ribalta dançarão com as sombras da cidade
No carnaval
Fumarei um cigarro imaginário
Me derreterei de letras e neons
Dormirei com um saxofone soprado de alguma chaminé bêbada de fumaça e alcool
Adormecerei nos braços de uma mulher
Ou sozinho no banco de uma praça encantada
Sem culpa, sem pressa, sem hora, sem frio, sem nada
Sem troll
Porque meu sábado nunca começa, nem termina
Ele fica ali na esquina
Esperando eu acordar
Porque sabe que
Eu só vivo no sábado
Eu viro o lado do disco
Espio à tarde na janela
Penso na roupa que vou usar
No sorvete que vou tomar
Na boca que vou beijar
E grito saúde Vinícius
Saúde meus vícios
Porque hoje é sábado
E a vida vem em ondas
E ondas são eternas em vir e vir e vir
Como os sábados do meu calendário de existir
Existir
Só aos sábados
Teju Franco, sábado, 21/01/2023

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