sábado, 21 de janeiro de 2023

Sábados





Sábados

 

Eu vivo num eterno sábado

É

Não sei onde começa, nem termina

Não importa

O que me importa é saber que atrás daquela porta

Uma tarde verde viceja

Vai ter festa logo mais

Uma bicicleta amarela passa veloz

O florista entrega flores pra vizinha

É sábado, todos se arrumam

Dona Carmem rega o jardim

Seu Honório lava o carro

Eu escuto música alta no quarto

A moça se estende na piscina

Até a vida, essa distraída

Quer ficar mais bonita

Tem quem que goste de rotina, de marmita

Não no sábado

No sábado à noite todos são loucos

No sábado à tarde é preparar a festa espumante

No sábado de manhã minguém se lembra

Sábado as flores noturnas cheiram aromas, sexo, fragrâncias 

As moças se maquiam falando de amores

Os moços se embriagam de coragens vespertinas

Delirantes

Vai ter um show, vai ter um beijo, um som, um vinho, um queijo

Um festival

As luzes da ribalta dançarão com as sombras da cidade

No carnaval

Fumarei um cigarro imaginário

Me derreterei de letras e neons

Dormirei com um saxofone soprado de alguma chaminé bêbada de fumaça e alcool

Adormecerei nos braços de uma mulher

Ou sozinho no banco de uma praça encantada

Sem culpa, sem pressa, sem hora, sem frio, sem nada

Sem troll

Porque meu sábado nunca começa, nem termina

Ele fica ali na esquina

Esperando eu acordar

Porque sabe que

Eu só vivo no sábado

Eu viro o lado do disco

Espio à tarde na janela

Penso na roupa que vou usar

No sorvete que vou tomar

Na boca que vou beijar

E grito saúde Vinícius

Saúde meus vícios

Porque hoje é sábado

E a vida vem em ondas

E ondas são eternas em vir e vir e vir

Como os sábados do meu calendário de existir

Existir

Só aos sábados


Teju Franco, sábado, 21/01/2023


 

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