Vou me embora pra Tejulândia
Lá todo mundo é rei
Vou sem escalas
Tenho milhagens acumuladas
Pularei algumas "reencadernações cadernecistas"
O cadernecismo é o espiritismo não positivista da Tejulandia
É aquele caderno da escola em que você escreve os seus podres e reza, reza muito meu filho
Esconde do pai, da mãe,
Escreve umas colas
A vida na tejulandia é
Uma balada sem contraindicação
A cerveja lá
Regenera o fígado
A cachaça faz a pele cheirar óleo de amêndoa
O Whisky doze anos lá tem os poderes do botox
Sua pele estica que é uma beleza
Basta uma noitada
E você acorda dez anos mais novo
A admissão é meio problemática
Tem que botar um dinheiro na caixinha de Deus
Só deus cobra propina na tejulandia
É o único corrupto lá
Mais ninguém
Depois você apresenta um passaporte falsificado pra
São Pedro
Que nunca está no portão da Tejulandia
Ele não se dá bem com a galera
Pedro é pedra
Na tejulândia rola mais LSD
Manga Rosa doze anos
Whisky da adega do Vinicius
Cachaça do sul de Minas
Aliás
Normalmente
É o Vinicius de Morais que cobre o turno do São Pedro no portal da Tejulandia
Às vezes o Raul Seixas também
Na verdade aquele portão é uma zona
Se você chegar lá e pegar o Zeca Pagodinho bêbado
Entra de boa sem mostrar documento nenhum
Tem um bafômetro também na portaria
Se o nível de álcool estiver muito baixo
Esqueça
Não vai entrar e não tem quem subornar quanto a essas questões de estado
Agora, se você entrou
Passou na alfandega deslizante
Com sua camisinha lubrificada
Considere-se um milionário sem consultores do youtube
Não precisa de nenhum influencer
Tente não ficar muito excitado
Logo de cara
Com as mulheres e os homens lindos e seminus
Flanando entre fontes e cascatas de cerveja e vinho
Vestidos todos com véus transparentes
Parece propaganda de sabonete
Valério Valério Paiotti
Que será o embaixador da Terra na Tejulandia
Fara o Pocket show de boas vindas
Que Pasárgada, que nada
Na tejulândia não tem amigo do rei
Lá todo mundo é rei autoproclamado até que se prove o contrario
Não tem cidades nem estados
Tem luaus
Baladas
Rodas de violão
Paixão
Dança de rosto colado
Lá a gente só trabalha no feriado, mas não se assuste
É só pra preparar as grandes festas
É justo
Natal, Reveillon, Carnaval
Viver de festa dá trabalho
Vou me embora pra Tejulândia
Lá todo mundo é rei
Não tem súdito, imposto, nobreza, coroa
Só um bando de maluco de gente boa
Teju 13/09/2019

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