terça-feira, 10 de setembro de 2019

"Saber Amar, Saber Deixar alguém te amar"



 Amar é coisa que a gente não sabe
Nunca soube
Em nenhuma época da história
Nem nos quintais do mundo
Nem dentro de casa
Nem no sofá da casa da sogra
No muro que a gente fazia xixi escrevendo nomes
No portão
Do pai e da mãe
Só nas histórias de amor
As tais “estórias”

Amar é muito mais que dar e receber
É fazer alguém se sentir especial
Reconhecido
Especialmente único
Completo
Lúdico
Amar é vender e comprar essa ilusão sem dinheiro
Não tem a ver com fidelidade, traição
Não tem a ver com liberdade, possessão

É saber se fazer presente
Diariamente como um evento
Uma rotina de final feliz de filme B
Entre o dia a dia de uma vida infeliz
O dia D

Às vezes é simples demais
Saber agradar
Elogiar
Olhar
Apoiar
Não existe maior presente maior no mundo
Do que o olhar apaixonado

Eu já errei demais
Perdi uns poucos e raros grandes amores
Já fui chato
Já fui alvo da “flecha preta” do ciúme
Chato bagarai
Já magoei
Deixei pra trás “os corações partidos”

Já deixei e magoei um grande amor
Que nunca me perdoou
Já fracassei com outro grande amor
Que nunca me perdoou
Já abneguei um possível amor
Que nunca me perdoou

Não sei se aprendi
Ninguém sabe
Amar é sempre uma coisa que está mais ali
“Más allá”

Vivemos em uma época de rupturas
Alternância
A era das minas
Espero que ela era  seja a que nos ilumina
Espero mesmo que ela traga uma outra mirada

Tá tudo muito confuso
Tempo de guerras múltiplas
Preto, branco, macho, fêmea, louco, careta, esquerda, direita, hétero, homo...sapiens dando cabeçadas
Monogamia, poligamia,
Os cornos e cornas da idade media
Os novos amantes

Eu não sei o que querer
Eu não sei o que pedir
O melhor lugar do amor para mim
É a zona sem conforto da paixão
Sempre foi

Esse limbo entre o medo e a coragem extremos
O estresse que tem paz
Chegar ao Rio ao nascer do dia
Tomar água de coco num quiosque antes do vestibular
Ouvir essa música do Paralamas

Meu medo hoje não é o “presente do futuro”
Imprevisível
E o que ele possa trazer de desafios
Nem dos novos comportamentos
Adoro ver as meninas rosas se beijando
E os meninos azuis se comendo
Adoro ver o troca-troca de gêneros
Em liberdade

Meu medo é essa pressa
Essa ânsia de querer mais que tudo e não conseguir nada
Tão comum nesses tempos
O amante feliz que na balada vai sonhando pegar cerveja
E na volta pensa ter visto algo que possa ser mais
E que não é
E o que era, de fato, já era
O mais estava ali atrás, super-reconhecível
Mas tem uma ânsia
Uma insatisfação que não confia no amor
Uma ambição burra
Uma megalomania
Um querer mais daquilo que não tem mais

O amor vive nos detalhes
Na fina percepção
Sempre haverá um bonitão
Uma gata na fila da cerveja
Uma errata
Pra te roubar a santa ceia
De estar apaixonado
Amar exige sabedoria

O futuro “muderno”
Provavelmente
Não irá controlar agendas
Celulares
Lugares em que foste
O que alguém faz quando viaja sozinho
Talvez tudo isso perca importância
Do que saber estar ao lado
Quando chance houver
De ser o lado

Teju 10/09/2019

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