sexta-feira, 6 de julho de 2018

Que fazer do amor dos amantes?, além de amá-lo






Que fazer do amor quando já vem restrito
Sem direito a nome, sem direito a grito
Sem tarde no cinema, baile de fraque
Que fazer de um amor Mandrake que ninguém pode ver
Além de se esconder?
Um Cheff que te mata a fome sem servir o prato
Um gaiato inoportuno
Um gatuno dos hiatos
Como se sai desse mato se ele for grande de fato?
Desses de sonhar pelos cantos acordado
E ver encanto em tudo que é lado
Na florista, no farrapo

Moonlight Serenade

Como um velho tolo que relembra seus dias de glória
Os beijos incandescentes no Chevrolet
A cidade rendida abaixo a seu pé
Only you, only you
Love is a many splendored thing
Que fazer de um amor assim?
Disfarçar, olhar pro lado, assobiar 
Fazer cara de jardim
Entrar com o coração em chamas numa fria
Não fazer cara, gosto, gesto, tara, cria
Não dançar na chuva, não cantar pra lua
Nem mijar nomes no muro da casa dela
Não vestir a camisa amarela num domingo azul
Não anoitecer lilás
Só deixar pra trás e seguir em paz?
Que fazer, oh bela?,
Depois que se abre a janela
Da fissura generosa
Além de comer em silencio e segredo
Sua fruta saborosa
Além de soçobrar
Além de só sobrar ao fim do baile
Recitando poemas em braile 
Pra si mesmo

O amor é assim mesmo
Cria o desmo e te larga a esmo
E se não lhe cabe o rito
Cabe o gozo
Ao ser amoroso perdoado está de qualquer crime ou delito
E esse sem dedos é o amor mais lindo, generoso
Esse que não tem posse, nem dono
Que parece viver no abandono do limbo
Esse que só dá sem ter
Esse é o amor pra valer
Que a gente nunca vai obter 
Nem saber
O amor dos amantes
Dos motéis e botequins escondidos
Que não te promete nada além do instante
Do beijo partido

Teju Franco 06/07/2018





2 comentários:

  1. Perfeito! E a eterna promessa da separação poderem viver juntos pra sempre. O sofrimento deve valer a pena... afff... Léa.

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