sexta-feira, 20 de julho de 2018

O Metron





Detesto gente que economiza
Dinheiro, amor, amizade, alegria, paixão, farra, tristeza, poesia
Detesto
Vida é pra gastar
E não se esconder embaixo da mesa
Colecionando avarezas
Foste um precavido, nunca te faltaste nada, babaca, covarde
Detesto gente que se gaba de não errar
Gente chata
Morna
Comedidos são uns malas insossos
Gente que não faz jus a graça de aqui estar

Viver é para os fortes
No êxito, no fracasso, na vida e na morte
O fracasso pode ser um ato de coragem só permitido aos bravos
Aos loucos, aos ousados
Educação e gentileza é massa
Mas gente que não perde a linha
É massada
Como dizia Pessoa.
Que pessoa você é?
Gente que não perde o controle?,

O metrom?,

Como diziam os gregos
Não vales o ar que respira
Quem não erra não sai do lugar
Da mediocridade da zona de conforto
De não tentar

Para o sucesso ou o fracasso eu sempre fui
Ato, desafio
Me atirei sem arrependimento ao serro frio
Arrependimento mesmo me dá é a paralisia
Às poucas vezes que sucumbi a ela
A vida é uma mulher bonita que passa por você na rua
Sem segunda chance
Se você não agir
Ela se vai se perder para sempre na multidão
Não tem revanche

Eu vou, às vezes seguro de mim,
Às vezes mais fraco que o Rock Balboa quando tá apanhando
Não sou Rambo mas eu vou lá ver a lua, que loas
Com a certeza do herói, ou trôpego e cambaleante
Cruzar a linha do

Metron

Meter a mão no manjar dos deuses
Aceito os castigos do Olimpo calado
Sem fazer estardalhaço, nem agonizar em praça pública
Nem bancar o alterado
Nunca ninguém cuidou de mim na grande noitada
Sempre voltei sozinho, são e salvo pra casa
Sem fazer mal a ninguém a não ser a mim, à minha alma penada

Pago o preço da palhaçada lúdica da existência
Vou guiar a carruagem que transporta o sol por todos os dias
E Zeus que se foda
Suporto a zica de Ícaro
Caio no mar com as asas queimadas
Pedindo a saideira

Como Sisifo, tentarei enganar a morte quantas vezes puder
Com cachaça, vinho, marijuana, música, poesia, festa, amor de mulher
E carregarei minha pedra eternamente por um segundo de plenitude
Que venham as moiras ao meu encalço
Minha parada na terra é descalço
É assim que ando, amo, respiro, canto
Quem é brother tá comigo
Quem não tá diga adeus e vá simbora
Meu canto é agora, é de arreunir
Sou do perdão, mas não faço isso duas vezes
Gosto de gente sincera
Sem hora
Quem me ama me entende, me perdoa
Sabe quem eu sou e bora
Perder o
Metron
Juntos, agora, que a vida é uma brisa
E só tem graça dividida
Quem me ama me perdoa, sabe que sou o

Metron

Perdido de amor
De compaixão e paixão
Em cada sol posto
Sempre fui o conciliador
O que sempre quis foi dividir
Não gosto de quem economiza
Mas também não quero mal
Passo batido à esquiva
Sinto pena, dou tchau
Mais pena do que de mim
Os que vivem em um metro quadrado tendo tudo e
Mesmo tendo viajado o mundo nunca saíram do lugar,
Tem que falar das adegas da França mesmo né?,
Sem nunca ter tomado um porre
Tiveram muito menos que eu ao perder o
Meu

Metron

Ludo
Meus deus eu invento a cada dia
Ele é volúvel, tresloucado, confuso, muda de opinião a todo momento
E assim vou ao sabor do vento

-Não erraste?
-Nunca fizeste uma besteira?
-Nunca pagaste um mico?
-Deste um vexame por amor?
Um deslize?
Um pecado?
Nunca te traíste ?
-Tens certeza que estas vivo?

O

Metron

Existe para ser perdido
Enquanto és vivo
É seu momento divino 
E ae, vai ser deus na terra ou esperar morrer pra ver se ele existe?

E ae?

Teju Franco 20/07/2018







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