sexta-feira, 16 de março de 2018

A Porta










A Porta

Quando o amor bater à porta
O dia já estará bem nascido
Bem redemoinho no meu ninho
A noite bem posta
Com uma mesa de estrelas meninas
Que entrarão pela tarde senhora
Bem dispostas
Purpurinas...

Em voltas de enlouquecê-las
A lua como que chega
 Médio bailando, médio volando
”Moceja”
Em algum esquadro de janela
Tão bela!

O amor és el loco fora de esquadro
Que nada vê além da própria loucura
Luz del Fuego
La dolce fúria
Que Gira o salão
As luzes do cabaret
Amy Wine House da Perdição


Uma vida de farras calará a boca do tédio
Um tapa estalado na bunda de Eros
Uma música romperá quando da sua entrada no prédio
A solidão desabará de sua arquitetura viciada
Até parece que nunca existiu
Um garrancho que alguém esqueceu
De apagar no caderno
Apagou, sumiu, ninguém viu

Abril que parece Dezembro,
Dezembro que bem me lembro antes de viver
Muito antes, bem antes dos Janeiros
Do começo de tudo
Eu já sentia o cheiro
Já adivinhava o mundo
De lavanda ou Flor da noite
Exalando sobre tudo
O coro das pastorinhas, o coro do absurdo

O amor é a esperança de...
O caos anda de mão dadas com a redenção pela orla dourada
A lua perdida de fase
Se mostra como a grande esperança desvairada
“Menstruarada”...
.

Aos loucos e desavisados
Aos tomados de sua cólera
Sempre traz uma criança estreante em sua aurora
Um jovem intrépido que do alto se joga
O homem pássaro
O Traficante de droga
Faz da vida um grande banquete, uma balada
Ou nos abandona mortos de fome e tédio
Em sua alcova furreca de beira de estrada?

Anda rindo assim perdido na Lapa do mundo
Assim sem certeza de nada
Sem chão sob a estrada
Sem forro pro céu profundo
Vagabundo
Assim por aí...
Assobiando ao léu...
A zombar o soturno...

Chega com um cigarro na mão pedindo fogo
E você responde incendiando Roma sem perceber
Assim como se tocasse uma lira
Sobre a realidade submetida você delira
Com o corpo que acabou de gozar
O gozo é uma espécie de morte que deu mais sorte
O amor vem antes da realidade
Antes da razão, da coragem e do medo
Já nasce com saudade, com uma dor no peito
Um arremedo que vira um soco na fuça
Você anda tateando pelo labirinto de espelhos
Sem saber se herói ou fedelho
Mas isso não importa
Já gira a roleta-russa
Quando se cruza a porta nada mais importa
Além de tê-lo.

                                                                                                Teju Franco  16/03/018

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