A Porta
Quando o amor
bater à porta
O dia já estará
bem nascido
Bem redemoinho no
meu ninho
A noite bem posta
Com uma mesa de
estrelas meninas
Que entrarão pela
tarde senhora
Bem dispostas
Purpurinas...
Em voltas de
enlouquecê-las
A lua como que
chega
Médio bailando, médio volando
”Moceja”
Em algum esquadro
de janela
Tão bela!
O amor és el loco
fora de esquadro
Que nada vê além da
própria loucura
Luz del Fuego
La dolce fúria
Que Gira o salão
As luzes do
cabaret
Amy Wine House da
Perdição
Uma vida de
farras calará a boca do tédio
Um tapa estalado
na bunda de Eros
Uma música
romperá quando da sua entrada no prédio
A solidão desabará
de sua arquitetura viciada
Até parece que
nunca existiu
Um garrancho que
alguém esqueceu
De apagar no
caderno
Apagou, sumiu,
ninguém viu
Abril que parece
Dezembro,
Dezembro que bem
me lembro antes de viver
Muito antes, bem
antes dos Janeiros
Do começo de tudo
Eu já sentia o
cheiro
Já adivinhava o
mundo
De lavanda ou
Flor da noite
Exalando sobre
tudo
O coro das pastorinhas,
o coro do absurdo
O amor é a
esperança de...
O caos anda de
mão dadas com a redenção pela orla dourada
A lua perdida de
fase
Se mostra como a
grande esperança desvairada
“Menstruarada”...
.
Aos loucos e
desavisados
Aos tomados de
sua cólera
Sempre traz uma criança
estreante em sua aurora
Um jovem
intrépido que do alto se joga
O homem pássaro
O Traficante de
droga
Faz da vida um grande
banquete, uma balada
Ou nos abandona
mortos de fome e tédio
Em sua alcova
furreca de beira de estrada?
Anda rindo assim
perdido na Lapa do mundo
Assim sem certeza
de nada
Sem chão sob a
estrada
Sem forro pro céu
profundo
Vagabundo
Assim por aí...
Assobiando ao
léu...
A zombar o soturno...
Chega com um
cigarro na mão pedindo fogo
E você responde
incendiando Roma sem perceber
Assim como se
tocasse uma lira
Sobre a realidade
submetida você delira
Com o corpo que
acabou de gozar
O gozo é uma espécie
de morte que deu mais sorte
O amor vem antes
da realidade
Antes da razão,
da coragem e do medo
Já nasce com
saudade, com uma dor no peito
Um arremedo que
vira um soco na fuça
Você anda
tateando pelo labirinto de espelhos
Sem saber se
herói ou fedelho
Mas isso não
importa
Já gira a roleta-russa
Quando se cruza a
porta nada mais importa
Além de tê-lo.
Teju Franco 16/03/018

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