quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A gente não pode fazer música como em 1973





Um amigo comentou que a gente não pode mais fazer música como se estivesse em 1973, realmente, eu concordo com ele, infelizmente. Em 1973 uma boa canção podia te projetar no cenário da música popular, uma música na novela mudava sua vida e a vida das pessoas, as pessoas passavam a saber quem você era, você teria público, shows, visibilidade, você podia comprar uma casa, às vezes podia resolver a sua vida, durante muito tempo, eternamente sua canção seria lembrada e regravada, as canções eram emoções que não se esqueciam, é como ouvir Beatles, até hoje é um exercício da mesma emoção, eram o tempo das canções e dos compositores.

Hoje é o tempo do fim da canção, dos mantras repetitivos, da música falada, e dos não compositores, cantoras que compõe qualquer coisa para não pagar direito autoral, músicos de estúdio a compor fórmulas, e essa renca de piratas passageiros de mau gosto com as palavras e as notas. Vais fazer um disco, é cantora?, rabisque alguma coisa, a gente produz.


Em 1973 as parcerias eram celebrações de grandes amizades de copo e alma, hoje são coisas heroicas que escapam à guerra de egos de artistas anônimos e sequelados por tanta indiferença e falta de estrutura, e é tanta canção boa que passa batido nessa fábrica de pilantras que virou o mercado fonográfico, essa coisa que nada tem a ver com música, um caça níquel de quinta categoria de porcarias que fazem grana e somem seis meses depois.

A gente não pode fazer música como em 1973, a gente não pode viver de música como em 1973, a gente tem que viver sozinho num purgatório de belezas desconhecidas que não saem muito da nossa rodinha de violão. Que bosta!, a gente não pode 1973, infelizmente. Toma um 2017 aí bem enfiado e ache bom, porque em 2017 todo mundo tem que "pare ser" feliz.

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