É conter o que não cabe em lugar nenhum
Sufocar a grande revolução no peito
É se vestir pra uma festa em que não se vai
É engolir o sol como a um cubo de gelo
Andar com a voz sombra
Tirar a mão do desejo
Tirar o pé da estrada
Esqueçer
A que veio
É fazer da angústia sua melhor amiga
Sair pra passear num domingo de mãos dadas com a ausência
É conter o pensamento
Desarquitetar a capacidade de sonhar
Fazer a mesa e não servir a ceia
É virar o artista da conformação
Pegar uma insolação na tempestade
Ver em quilates o afeto escorrer entre os dedos
Desperdiçado
Cada minuto sagrado
Pó de ouro diluído no cascalho
Num tempo de nada acontecer
Vou encarar mais uma Lua
Tentando não vê-la
Tampar os ouvidos
Quando tocar a música
Vender sorrisos sem graça na banca da esquina
Sobreviver àquilo de que não se conhece vacina
Lamentar-se ao vento
Desabafar às paredes
Abrir e fechar a porta que não sai, nem entra
Como um perdulário
Incapaz
Indeciso
Desventura
Andar atrás do que te escapa
Do que não depende de ti
Viver na eternidade em que tudo que há pra fazer é eperar
Por a roupa de domingo
Para o grande feriado
Do desperdício
Caminhar
Depois voltar pra casa e dormir no hospício
Da paixão
Sozinho
Com um sonho na mão
Sem gaveta pra guardar
Teju 09/07/2021

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