quinta-feira, 7 de maio de 2020

Ah! Então não vou poder ir, nunca usei sutiã...




Algo que não sabia de Leila Diniz

Leila Diniz sempre foi minha guia espiritual. Sei "tuda" da vida dela, cheguei a ficar amigo do melhor amigo dela.

Ela é um marco do feminismo, sem querer ser, ela só queria viver livremente. Eu digo sem querer porque naquela época em que ela viveu, os rebeldes e apaixonantes anos sessenta, tudo se polemizava e se politicava muito, e o que não faltavam eram patrulhas de um lado e de outro, gente dizendo - isso pode e isso não pode. E, isso não fazia muito o espirito da Leila, como filha de militante do partidão, conviveu com as rotinas militantes desde cedo, Leila achava chato, a rotina, as pessoas, as cobranças, o barato de Leila era ir experimentando.


Leila não gostava muito dessa coisa que a Maria Bethania chama de "avante". Eu tbem não gosto. - mas como, vc?, logo vc, tão político? Sim, eu milito o tempo todo pela politica das coisas que eu acredito, me enquadrar em organismos nunca foi meu forte. Desde o movimento estudantil, da clandestinidade, e do partido PT, nunca pisei num diretório do PT, eu faço a minha política. Eu não gosto de cartilha, de patrulha e de clichê.

Hoje em dia tem uma regra para se montar shows, elencos: tem que ter x mulheres, x afros, x LGBTs, e quem tem que dirigir aquele filme tem que ser um afro, ou um LGBT, ou sei lá o quê..

Isso não rola pra mim, eu monto uma banda com quem está no meu universo afetivo de vida nesse momento, seja homem, mulher, branco, negro, gay, hétero.

Quem tem que fazer aquele filme sobre aquela mulher não é um diretor negro, nem branco, é alguém apaixonado pelo roteiro e por ela..

Arte com patrulha, patrulha para quem precisa, patrulha para quem precisa de patrulha

Eu não preciso, não sou racista, não sou homofóbico, nunca fui, me relaciono bem com todo mundo, eu não preciso de patrulha, de ninguém me patrulhando, e de ninguém dizendo quem eu devo chamar para minha banda, ou meu espetáculo, eu chamo quem tem a ver no momento.

Todo esse papo, por quê?

Em uma semana da década de sessenta, quando já havia o mito libertário da pessoa Leila Diniz, um grupo militante de feministas a convidaram para uma manifestação em praça pública em que se queimariam sutiãs.

A resposta foi:

Ah então não vou poder ir, nunca usei sutiã.,

Como tudo tem que ser legendado num mundo de patrulhas e clichês, o resumo da ópera é:

Dou a maior força para a causa, mas não ingresso em exército, nem formo patrulha, nem me submeto a nenhuma.

Teju Diniz

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