quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

As Minhocas da Miriam Muniz, a missão



Por melhores que sejam os amigos do momento
A vida é um apartamento de um dormitório
Quando o bicho da existência pega
Esta-se sozinho
No mictório
É lá que mijamos nossa alma liquefeita
Da porra e do óvulo

Por melhores que sejam os amigos
O destino te faz cérvulo
De chifres ressentidos
Ou aguerridos
Não tem porta de saída desse tapete de bitucas
E copos derrubados
Arrependidos
Perversos

Retrô
Escavadeira
Não rompe o piquete
Que fazemos conosco mesmos
Não tem ponte Rio Niterói pra fora do quadrado
É tudo ali mesmo
O octódromo
O insensato
O UFC
O sucesso
E o fracasso
Um soco
Uma chave de braço
Um Falsete

Da amiga rica que jogou seus trinta mil por mês pra me fazer um bosta
À intensidade e brilho da aventura que só se encontra no desprendimento
Na empatia, no amor, na poesia e na bossa
Dos loucos e desavisados
Em sua vã aposta
Uma vida luxuosa, confortável, previsível
Uma vida precária, intensa, experimental
Foi assim que virei artista de feira mendigando trocados
No quintal
À margem do mercado
Do capital
Apagarei a minha vida quase anônima
Na senha de um desktop ultrapassado
Todas as canções e poesias
Irão intocáveis ao mundo da fantasia
Comigo
Como uma bíblia embaixo do braço
Dos crentes de porra nenhuma
Irão comigo
Num buraco de minhoca
Como bem dizia minha bruxa mais amada Miriam Muniz
Somos só minhocas angustiadas
Lembrar de mim não me fará atriz
Nem feliz
Mas hei de fazer bem pra quem ficou aí
Mesmo sendo, eu, um infeliz
                                                                 Teju Franco 21/02/2020




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