O governo
fascista soprou seu bafo podre dia após dia
Um ter que
falar de pessoas deploráveis que entraram em nossas vidas de maneira desonesta
A mão
covarde intermitente no coldre
Mas comigo
não foi só isso, foi uma série de coisas boas e más
Gozosas e
difíceis
Um ano
intenso em todos os sentidos
Muita música
Nem sei
dizer onde começa e onde termina
Em que
música começa
Em que música termina
A morte e a
vida em cada esquina Severina
Fazendo
michê
Eu me
desfazendo em cinco
A sobreviver
E fazendo
música
Que depois de
1200 encarnações vividas
Foi o que de
bom sobrou:
Na música
equilibro a batalha
Tiro
proveito e prazer
Não jogo, mas me enxugo com a toalha
Me ocupo de
algo emocionante a fazer
Viver
A música
Pode ser uma
viagem solitária
Tem dia que
sinto – hoje o show é pra mim
Tem dia que
é troca
Olho no olho
Boca no
coração alheio.
E o
sentir-se esgotado
O cansaço de
quem é sozinho com seu fado
Um vazio em
busca do cheio
Dedilha a
viola
E é mais um
samba que eu faço
Enquanto
morre a célula mater.
A orfandade
desse mundo uiva em volta feito matilha
- estás
sozinho nesse mundo enfim, minha filha
Lari...lari...
A solidão
existencial dedilha a viola
Ela não tem
filha, mas é mãe de todos
E é mais um
samba que eu faço
Para todos
que eu não fui
Mas é também
Pensando bem
- o que mais
eu posso fazer?
Teju 01/01/2020
¨E no
entanto é preciso cantar
Mais que
nunca é preciso cantar
É preciso
cantar pra alegrar a cidade ¨ (Vinicius de Morais/ Carlos Lyra)

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