quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Pressão




 Difícil descrever a pressão desse ano
O governo fascista soprou seu bafo podre dia após dia
Um ter que falar de pessoas deploráveis que entraram em nossas vidas de maneira desonesta
A mão covarde intermitente no coldre
Mas comigo não foi só isso, foi uma série de coisas boas e más
Gozosas e difíceis


Um ano intenso em todos os sentidos
Muita música
Nem sei dizer onde começa e onde termina
Em que música começa
 Em que música termina
A morte e a vida em cada esquina Severina
Fazendo michê


Eu me desfazendo em cinco
A sobreviver
E fazendo música
Que depois de 1200 encarnações vividas
Foi o que de bom sobrou:


Na música equilibro a batalha
Tiro proveito e prazer
Não jogo,  mas me enxugo com a toalha
Me ocupo de algo emocionante a fazer
Viver

A música

Pode ser uma viagem solitária

Tem dia que sinto – hoje o show é pra mim
Tem dia que é troca
Olho no olho
Boca no coração alheio.

E o sentir-se esgotado
O cansaço de quem é sozinho com seu fado
Um vazio em busca do cheio
Dedilha a viola


E é mais um samba que eu faço


Enquanto morre a célula mater.
A orfandade desse mundo uiva em volta feito matilha
- estás sozinho nesse mundo enfim, minha filha


Lari...lari...


A solidão existencial dedilha a viola
Ela não tem filha, mas é mãe de todos


E é mais um samba que eu faço
Para todos que eu não fui

Mas é também
Pensando bem

- o que mais eu posso fazer?
                                                                            Teju                    01/01/2020

¨E no entanto é preciso cantar
Mais que nunca é preciso cantar
É preciso cantar pra alegrar a cidade ¨ (Vinicius de Morais/ Carlos Lyra)

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