sábado, 21 de dezembro de 2019

Diz ae




O vazio do homem o bicho não come
Nem a fome
Nem a cólera
Nem o tédio
Solidões
Fluoxetina
Remédios
Loterias
Ilusões
Ele vem da certeza do fim
E do que estou fazendo de mim


O vazio do homem quando o amor não socorre
É um corre dentro de si
Pelo cinza ocre espelhado
Várias réplicas por todo lado
Quebrando caminho errado
Errando por aí


O vazio do homem tem nome:
¨ Existir ¨

O buraco negro do homem
O que traga toda matéria e o tempo
Seu tempo
Cobrado a cobre


A morte não é uma ideia
A morte é quando morre a ideia
A vida é uma ideia
Fascinante
Assustadora
Emocionante
Maçante
Passante
Estressante
Perturbadora


Enquanto você vive é como se fosse um Deus
Daqueles gregos
Humanos, e cheio de erros
Você pode até fingir de conta que não é com você
Que é com outro Deus
Mas o tempo todo o Deus é você
O senhor do destino
Sobre o Grand Canyon o menino


Onipotente


Ou


Impotente


Sobre o próprio abismo

Como eu mesmo disse em canção



Um minuano arrepia a pele
Ao passar de cada ano
Eu tinha um plano
Ele se deu
Mas eu fiquei em segundo plano
Do meu próprio plano


-E agora mano


António das Mortes
Do pós-plano?

E agora mano


¨ Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ¨1


- E agora mano
Diz ae


                                                                                                 Teju 22/12/2019

1-Trecho do poema “E agora José¨ de Carlos Drummond de Andrade

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