O vazio do
homem o bicho não come
Nem a fome
Nem a cólera
Nem o tédio
Solidões
Fluoxetina
Remédios
Loterias
Loterias
Ilusões
Ele vem da
certeza do fim
E do que
estou fazendo de mim
O vazio do
homem quando o amor não socorre
É um corre
dentro de si
Pelo cinza
ocre espelhado
Várias réplicas
por todo lado
Quebrando
caminho errado
Errando por
aí
O vazio do
homem tem nome:
¨ Existir ¨
O buraco
negro do homem
O que traga
toda matéria e o tempo
Seu tempo
Cobrado a cobre
A morte não
é uma ideia
A morte é
quando morre a ideia
A vida é uma
ideia
Fascinante
Assustadora
Emocionante
Maçante
Passante
Estressante
Estressante
Perturbadora
Enquanto
você vive é como se fosse um Deus
Daqueles
gregos
Humanos, e
cheio de erros
Você pode
até fingir de conta que não é com você
Que é com
outro Deus
Mas o tempo
todo o Deus é você
O senhor do
destino
Sobre o Grand
Canyon o menino
Onipotente
Ou
Impotente
Sobre o próprio abismo
Como eu mesmo disse em canção
Um minuano
arrepia a pele
Ao passar de
cada ano
Eu tinha um
plano
Ele se deu
Mas eu
fiquei em segundo plano
Do meu próprio
plano
-E agora mano
António das
Mortes
Do
pós-plano?
E agora mano
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ¨1
- E agora
mano
Diz ae
Teju 22/12/2019
1-Trecho do
poema “E agora José¨ de Carlos Drummond de Andrade

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