segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Mexe Comigo Não (O eclipse da floresta)




 O que foi aquilo hoje

Parecia um aviso vindo de longe

Lá de cima de tudo

Do meio da terra, do mundo

Um rufar alto de tambor mudo

Lá da selva

Da serra em chamas

O norte do Brasil “brasindo”

 

Ao redor de cucura-puruma

Anhangá uniu-se a Tupã

Coisa que nunca se viu

Guaraci apagou o Sol

E pediu a noite à Jaci

 

E Jaci mandou a noite

Em pleno dia

Em meio à tarde

Como um aviso

Ao branco sem juízo

 

A tarde escureceu

Ninguém entendeu

O operário, o militar, o banqueiro, o plebeu

Quando o Sol sem tino deu lugar ao breu

A cidade parou

Mas o que aconteceu?

Um mau agouro em cada eu desentendido se deu

Déjà vu de pós- armagedon

Tóxico céu de antimônio

A floresta mostrou seu poder

Da vida à destruição

Do gelo

À camada de ozônio

Posso ser ar e asfixia

Diziam os tambores mudos

O zunir das folhas cochichando na coxia

 Aos insanos filhos do capitão motosserra

Aos cristãos do demônio

 

Posso ser ar e não ser

Vida e destruição

Mexe comigo não

 

A mata soprou

O bafo do fogaréu

Aos incendiários do céu com suas bíblias na mão

Os genocidas, os snipers evangélicos

Os bélicos cristãos

Que Cristo o que

Cristo é uma conta num Banco da Suíça

 

Não!

Caramuru ensandecido

Fez o vento da fumaça negra

E soprou jazendo a noite em várias cidades do hemisfério sul

Espalhando a cinza da morte

Se você não sabe

Eu sei o que faço

 

Mexe comigo não

Disse Anhangabaú

O aviso não foi apenas

Aos fascistas anacrônicos da terra plana

Foi aos exterminadores do futuro

Aos capitalistas do fim do mundo

De todo o mundo

De toda gama

Papo reto aos pastores do bezerro de ouro

Mexe comigo não

Não mexa com quem não pode

Você me derruba hoje

Amanhã você se fode

 

Teju 20/08/2019

 


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