Parecia um aviso vindo de longe
Lá de cima de tudo
Do meio da terra, do mundo
Um rufar alto de tambor mudo
Lá da selva
Da serra em chamas
O norte do Brasil “brasindo”
Ao redor de cucura-puruma
Anhangá uniu-se a Tupã
Coisa que nunca se viu
Guaraci apagou o Sol
E pediu a noite à Jaci
E Jaci mandou a noite
Em pleno dia
Em meio à tarde
Como um aviso
Ao branco sem juízo
A tarde escureceu
Ninguém entendeu
O operário, o militar, o banqueiro, o plebeu
Quando o Sol sem tino deu lugar ao breu
A cidade parou
Mas o que aconteceu?
Um mau agouro em cada eu desentendido se deu
Déjà vu de pós- armagedon
Tóxico céu de antimônio
A floresta mostrou seu poder
Da vida à destruição
Do gelo
À camada de ozônio
Posso ser ar e asfixia
Diziam os tambores mudos
O zunir das folhas cochichando na coxia
Aos insanos
filhos do capitão motosserra
Aos cristãos do demônio
Posso ser ar e não ser
Vida e destruição
Mexe comigo não
A mata soprou
O bafo do fogaréu
Aos incendiários do céu com suas bíblias na mão
Os genocidas, os snipers evangélicos
Os bélicos cristãos
Que Cristo o que
Cristo é uma conta num Banco da Suíça
Não!
Caramuru ensandecido
Fez o vento da fumaça negra
E soprou jazendo a noite em várias cidades do
hemisfério sul
Espalhando a cinza da morte
Se você não sabe
Eu sei o que faço
Mexe comigo não
Disse Anhangabaú
O aviso não foi apenas
Aos fascistas anacrônicos da terra plana
Foi aos exterminadores do futuro
Aos capitalistas do fim do mundo
De todo o mundo
De toda gama
Papo reto aos pastores do bezerro de ouro
Mexe comigo não
Não mexa com quem não pode
Você me derruba hoje
Amanhã você se fode
Teju 20/08/2019


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